APRENDEMOS À APRENDER

Piaget, Vigoski et Wallon

 

A jornada educacional começa na infância, um período crucial onde, mesmo sem plena compreensão ou racionalização, já estamos em processo de aprendizado.

Jean Piaget

Com seus estudos sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças, demonstrou que eles ocorrem em estágios distintos, cada um caracterizado por habilidades específicas e modos de pensamentos únicos.

Piaget identificou quatro estágios principais: o sensório-motor, o pré-operacional, o operacional concreto e o operacional formal.

Cada estágio representa um avanço na capacidade da criança de compreender e interagir com o mundo ao seu redor.

  • No estágio sensório-motor, que vai do nascimento até aproximadamente os dois anos, as crianças exploram o mundo através de seus sentidos e ações. Elas começam a entender que os objetos continuam a existir mesmo quando não estão visíveis, um conceito conhecido como permanência do objeto.
  • O estágio pré-operacional, de dois a sete anos, é marcado pelo desenvolvimento da linguagem e do pensamento simbólico. No entanto, as crianças ainda têm dificuldade em ver as coisas do ponto de vista dos outros e tendem a ser egocêntricas.
  • O estágio operacional concreto, que vai dos sete aos onze anos, é quando as crianças começam a pensar logicamente sobre objetos e eventos reais. Elas podem realizar operações mentais, como a conservação e a seriação, mas ainda têm dificuldade com pensamentos abstratos.
  • Finalmente, no estágio operacional formal, que começa por volta dos onze anos e continua na adolescência, os indivíduos desenvolvem a capacidade de pensar de maneira abstrata e hipotética. Eles podem resolver problemas complexos e pensar cientificamente.

A teoria de Piaget teve um impacto profundo na educação, influenciando práticas pedagógicas e currículos ao redor do mundo. Ela nos lembra da importância de adaptar o ensino às diferentes fases do desenvolvimento cognitivo das crianças, respeitando seu ritmo natural de aprendizagem e promovendo um ambiente rico em oportunidades para exploração e descoberta.

Durante essa fase inicial da vida, existe em cada um de nós um dispositivo interno de alerta, uma espécie de bússola inata que nos guia através das experiências. Este mecanismo não só nos conduz, mas também armazena informações valiosas que formam a base da nossa personalidade e compreensão do mundo.

Lev Vygotsky

Provou em seus estudos que, a interação social desempenha um papel crucial no desenvolvimento cognitivo das crianças.

Ele argumentou que o aprendizado ocorre primeiro no nível social, através da comunicação e colaboração com outros, antes de ser internalizado no nível individual. Essa teoria é conhecida como a “Teoria Sociocultural“.

Além disso, Vigoski introduziu o conceito de “Zona de Desenvolvimento Proximal” (ZDP), que se refere à diferença entre o que uma criança pode fazer sozinha e o que ela pode alcançar com a ajuda de um mentor ou companheiro mais experiente.

A ZDP destaca a importância do apoio e da orientação no processo de aprendizado, sugerindo que o potencial de desenvolvimento é maximizado quando as crianças são desafiadas a ir além de suas capacidades atuais com a assistência adequada.

Educadores em todo o mundo têm adotado essas práticas, criando ambientes de aprendizagem mais inclusivos e dinâmicos, onde cada criança pode explorar seu potencial ao máximo.

Henri Wallon

Ele defende a ideia de que, o desenvolvimento infantil é um processo complexo e dinâmico, profundamente influenciado pelas interações sociais e emocionais.

Wallon acreditava que as emoções desempenham um papel central no desenvolvimento cognitivo e que a afetividade está intrinsecamente ligada ao aprendizado.

Para ele, a criança não é um ser passivo, mas sim um agente ativo que constrói seu conhecimento através da interação com o meio e com as outras pessoas.

Essa perspectiva ressalta a importância do ambiente escolar e familiar no desenvolvimento integral da criança, destacando a necessidade de uma educação que valorize o aspecto emocional tanto quanto o cognitivo.

CONCLUINDO

Jean Piaget, com sua teoria dos estágios do desenvolvimento cognitivo, nos mostrou que as crianças passam por diferentes fases de entendimento e raciocínio à medida que crescem. Seu trabalho enfatizou a importância das experiências práticas e do ambiente no processo de aprendizagem.

Lev Vygotsky, por outro lado, destacou a influência do contexto social e cultural no desenvolvimento cognitivo. Sua teoria da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) e o conceito de mediação social proporcionaram novas perspectivas sobre como a interação com outros pode impulsionar o aprendizado.

Henri Wallon, com sua abordagem integrativa, destacou a importância das emoções no desenvolvimento infantil. Ele acreditava que o desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor são interdependentes, e que o ambiente social desempenha um papel crucial nesse processo.

Esses três teóricos, com suas visões complementares, nos proporcionaram uma compreensão mais holística do desenvolvimento humano, influenciando práticas pedagógicas e métodos de ensino até os dias de hoje.